sexta-feira, 21 de setembro de 2018

#ELE NÃO!? #TODOS OS OUTROS SIM!?


#ELE NÃO!?

#TODOS OS OUTROS SIM!?

José Angelo da Silva Campos



Ainda criança, lembro-me muito bem, tinha cerca de onze anos de idade, morava numa cidade de porte médio; minha rua era movimentada. Nos poucos momentos de lazer, brincava com os colegas vizinhos. Éramos quatro “amigos”.

Dos quatro, eu era o menos abastado, ou melhor, o mais pobre. As brincadeiras, que não tomavam muito tempo, eram regidas de muita imaginação. Os meninos tinham aqueles bonecos de super-heróis, Homem de Ferro, Superman, Thor, etc.

Eu não possuía bonecos, daí brincava usando um pequeno pedaço de madeira e, às vezes, usava um dos bonecos dos meus colegas.

Isso se passou no ano de 1974. Em minha casa (alugada) havia um aparelho de televisão que me permitia conhecer infinitos tipos de brinquedos, os quais, muitas vezes, faziam parte de um desejo secreto, que sabia eu que jamais seria realizado.

Estávamos brincando com os bonecos, quando um dos colegas, o mais abastado financeiramente, resolveu convidar-nos a brincar com ele, com um autorama, em sua casa.

Nunca havia visto, aliás até hoje nunca vi, um autorama. Naturalmente fiquei muito curioso.

Chegamos os quatro na porta da casa do menino, que dava acesso a uma escadaria.

O menino pediu que nós três aguardássemos um momento, porque ele iria pedir autorização à sua mãe para brincarmos juntos.

Pouco tempo depois, o menino retornou com a resposta da mãe. Apontando com o dedo aos dois meninos que nos acompanhavam, disse:

“Venha você e você”, em seguida apontou o dedo para mim e disse:

“#ELE NÃO!...............Porque minha mãe disse que a casa está limpa e ele vai sujá-la”

Em mim me bateu um silêncio profundo.

Saí cabisbaixo, sem entender o que havia acontecido.

Com o tempo refleti:

Aquela Mulher (mãe), entendia que, por eu ser pobre, eu seria sujo. Ela me excluiu por um aspecto rotulado na sua mente (preconceito), de que todo pobre é sujo.

Esse fato, muito serviu na minha vida, para que eu jamais rotulasse, quem quer que fosse, por um preconceito qualquer.

Esse episódio gerou um trauma que, com o tempo, foi reescrito na minha memória como um ensinamento de respeito à dignidade humana.

Hoje, essa mesma frase traumática, volta à tona, trazendo consigo um sinal de asco e desejo de aniquilamento do podre que corrompe a moral humana.

Pessoas que, como aquela “Mulher e Mãe”, chamam a si o poder do discernimento entre o bem e o mal, condenam um candidato à Presidência da República, e todos os seus eleitores às amargas penas da Rejeição. Tudo isso sob a justificativa de uma certa “moral”.

Ao ouvir (ler) novamente essa maldita frase “ELE NÃO!”, ouço claramente dizerem “você e você podem subir.....”.

No meu raciocínio, em analogia ao acontecido comigo, e dentro do contexto eleitoral, entendo a manifestação assim: “Vera; Cabo Daciolo; Guilherme Boulos; Eymael; Fernando Hadad; Ciro Gomes; Geraldo Alckmim; Álvaro Dias; João Amoêdo; João Goulart Filho; Marina Silva, Henrique Meirelles,....... vocês podem subir........... ELE NÃO! (Jair Bolsonaro).

O pior de tudo é que justificam essa manifestação preconceituosa, como sendo em defesa da moral, dizem:

“[...]Então a nossa divergência não é política. A nossa divergência é moral.” 

Isso significaria que, moralmente falando, somente aquele determinado candidato seria imoral e, portanto, inelegível e que, seus eleitores compartilhariam do mesmo caráter imoral.

A dignidade humana reclama o seu respeito.

É triste, ainda encontrar “Mulheres Mães’ como aquela que numa visão preconcebida, eliminam alguém por um rótulo, sem se dar ao trabalho de avaliar a pessoa como realmente é, e, pior ainda, defendem, como moralmente ilibadas, pessoas presas por corrupção, processadas e indiciadas em acusações de corrupção, ativistas e francas defensoras do aborto, da extinção da moral cristã, etc.

Convém refletir, afinal:

“#ELE NÃO!”,  Significa:

“#TODOS OS OUTROS SIM!”


terça-feira, 19 de dezembro de 2017

TROVAS


TROVAS

José Angelo da Silva Campos



Da vida, apaixonada

A trova é expressão;

Qual noite enluarada,

De amor: declaração.





Meu coração trovador

Palpita todo alegria,

Quando oferece uma flor,

Cheia de amor e magia.





A minha alma inocente,

Razão do meu pensamento,

Transforma o que vem da mente;

Expressa o sentimento.





Mãezinha do Céu, Maria,

Mãe da mãezinha, Ana.

Agradar às duas, quem diria?

Só chamando, Mariana.


terça-feira, 5 de dezembro de 2017

ORAÇÃO - ALC


Oração (*)

José Angelo da Silva Campos





Somos todos convidados neste momento, a nos desvencilharmos das nossas armaduras e permitir que nossos pensamentos se voltem a uma reflexão, e que o mais íntimo da nossa alma encontre o diálogo perfeito com o Criador.

Tudo isso no mais puro Amor.

Afinal, “o amor é paciente, é benfazejo; não é invejoso, não é presunçoso nem se incha de orgulho / Ele desculpa tudo, crê tudo, espera tudo, suporta tudo.” (1Cor 13,4,7)

E é a esse Amor Pleno que dirigimos nossos pedidos, agradecimentos e lamentos.

Da Carta de São Paulo aos Efésios:

“Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que nos abençoou com toda bênção espiritual nos céus, em Cristo.

Nele, Deus nos escolheu, antes da fundação do mundo, para sermos santos e íntegros diante dele, no amor.

Conforme o desígnio benevolente de sua vontade, ele nos predestinou à adoção como filhos, por obra de Jesus Cristo, para o louvor de sua graça gloriosa, com que nos agraciou no seu bem-amado.” (Ef 1,3-6)

Pedimos na graça recebida que, como pessoas, possamos ser verdadeiras janelas abertas donde se possa nitidamente ver esse Amor.

Que essa janela seja regra em tudo; naquilo que falamos, no que escrevemos e como agimos.

Pedimos paz; pedimos fé, esperança e amor.

O Amor, que tudo crê, na fé, nos leva a agradecer.

Então a Ti, Amor Infinito, agradecemos o dom da vida, a alegria da esperança e o crescimento que a dor provoca em nossos corações.

Até aquilo que pedimos que nos livre (“não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal.”) a Ti agradecemos, pois mesmo na tribulação sabemos que só a permitiste porque dali algo de melhor surgirá.

Afinal no centro de tudo está o Amor e assim manifesta o belo poema de Santa Teresa Dávila:



" Nada te turbe / nada te espante; / tudo passa. Deus não muda; / a paciência obtém tudo; / quem possui Deus / nada lhe falta / só Deus basta".



Que esta noite seja assim: Abençoada e generosa em alegria.

E que o Amor, como um vento a soprar o barco à vela da nossa imaginação, nos faça navegar no mar de prosas e versos que permeiam este solene encontro, deixando-nos em êxtase de paz e harmonia.

Amém!





(*) Lida no início da Sessão Solene de posse dos novos acadêmicos da Academia Literária Castelense (ALC) – 24/11/2017. FLIC – Festival Literário de Castelo – Castelo/ES.

segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

TEMPO


Tempo

José Angelo da Silva Campos





Hoje amanheceu chovendo.

Mas mesmo assim, estava quente e o relógio trabalhava.

A gente pensa.

Às vezes sonha, às vezes não.

O tempo passa.

Quando dormimos, ou estamos acordados; trabalhando; divertindo; chorando; brigando; rindo; falando; ouvindo; escutando....

.....O tempo passa.

Passa, passa, até quando?

Até quando vamos acompanhar o tempo passando?

O tempo não fala, não responde nem pergunta, apenas passa.

Se ficamos olhando o tempo.... passatempo.

Se não damos bola pra ele; sem percebermos, ele passa.

Loteado, o tempo é vendido ou comprado, num preço muito alto:

O tempo é caro.

Quanto tempo nos resta?

Onde comprar mais tempo?

Não há!

O tempo que temos não se abastece, não se repõe. Vem no pacote onde está a vida.

O volume do tempo que se tem é segredo. Ninguém sabe.

O que fazer com o tempo que não para de passar?

Com o tempo que não sabemos até onde vai?

Coisa misteriosa esse tal do tempo.

Tudo é medido nele, porém, ninguém sabe dele.

De que vale o nosso tempo?

O que levar dele, e pra onde?

O tempo foi feito pra gastar. Gastar da melhor forma possível......

Mas,...... qual é a melhor forma possível?

Quem economiza tempo, não ganha mais tempo.

Quem consome o tempo, não perde tempo.

O que fazer então?

Refletindo, o tempo passa.

Tempo não se gasta, não se compra, nem se vende......

O tempo não existe.

O que há, é a vida.

Enquanto existe, se chama tempo?

O que temos feito do tempo? Qual tem sido a prioridade dele?

Ops! O tempo não existe.......

Então é a vida?!

O que é a vida, senão a oportunidade? O tempo oportuno, sem medida, sem certeza, ......

A Vida também passa, passa junto com o tempo.

Como está a vida?

Donde vem? Pra onde vai? Como é que fica?

Tempo...

Vida...

Oportunidade........

Hoje amanheceu chovendo......

sábado, 29 de abril de 2017

PESSOAS BRILHANTES



Pessoas Brilhantes
José Angelo da Silva Campos

A natureza é autônoma e regida por uma Inteligência divina. Nela vemos o ciclo da vida repetir-se em forma e método, na imensidão do cosmos e no reduzido microcosmos.
Nesse turbilhão de energia que provoca e é provocada pelos ciclos existenciais de todas as formas, encontramos patente o estresse, que nada mais é que o tensionamento de uma matéria até o limite da sua resistência.
Esse tensionamento, enquanto não rompe, provoca dor. Daí, não estaríamos mentindo se disséssemos que a toda transformação na natureza existe dor.
Observemos um lindo brilhante encastoado num anel de ouro branco. Quantas cores, que transparência paradoxalmente unida a um tom opaco, que faz do seu brilho algo tão exclusivo ao ponto de tornar-se seu nome: “brilhante”.
Essa joia tão desejada, tem na sua composição química um paralelo com o carvão. É o carbono a composição de ambas. Mas as semelhanças param por aí. É a alta pressão, forte tensão, aplicada ao carbono que provoca a formação do diamante. Portanto, é a forte carga de estresse o grande diferencial em se obter da mesma matéria do carvão, um mineral da mais alta resistência, que submetido ao atrito com qualquer outra matéria conhecida, sai sempre vencedor, daí o título de pedra mais dura que há.
O diamante bruto, como o nome diz, é bruto demais para servir de adorno. Assim, ele é submetido a nova carga de estresse, sofre cortes e polimentos até que sua forma lapidada, unida ao ouro e à platina, o transforme na mais desejada peça ornamental, o brilhante, “a joia”.
A dor dói, mas produz brilho e excelência.
A vida é bela.
A vida humana é o que há de mais belo na natureza.
Da dor do parto nasce uma linda e reluzente criança, um verdadeiro diamante bruto: lindo, forte, mas carente de lapidação.
São os atritos do convívio com nossos semelhantes que permitem o aparar das arestas e o polimento da nossa tez, para que mais que a nossa luz própria, sejamos capazes de brilhar, refletindo a luz do amor e da amizade que recebemos uns dos outros.
No convívio diário, nas nossas concessões, nossas rejeições, nossas dificuldades e vitórias, cumprimos um ciclo comum a todos os elementos da natureza, com o diferencial de que carregamos conosco um brilho próprio, concedido pela graça, que, mais que iluminar o mundo, transmite na amizade essa contagiante energia do amor que faz de nós pessoas brilhantes.

segunda-feira, 30 de maio de 2016

"NÃO EU, MAS TU"

“Não eu, mas Tu”

José Angelo da Silva Campos

 

 “Pai, se é de Teu agrado, afasta de mim este cálice! Não se faça, todavia, a minha vontade, mas sim a Tua.” (Lc 22,42)

 

 

Da angustiosa dor no Getsêmani também podemos extrair o ensinamento para suportarmos as nossas angústias e profundas feridas da alma.

 

A natureza humana de Jesus sucumbiu, num ato livre de obediência, à vontade divina. Numa demonstração clara da idealização do homem perfeito.

 

Acima dos desejos humanos, reside no coração cristão a obediência à vontade de Deus. “Seja feita a vossa vontade, assim na terra como no Céu”

 

Naquele sofrimento de Cristo no Getsêmani, está contida a nossa agonia daquela dor inexplicável, daquela angústia que fere a alma, por tudo que contradiz a nossa vontade e nos encaminha ao desespero da perda da fé.

 

É no monte das Oliveiras que encontraremos o refrigério daquela dor insuportável.

 

O Papa Bento XVI, na sua obra Jesus de Nazaré, apresenta a seguinte citação, que justifica nossa narrativa:

“Nesse sentido, como fez Pascal, podemos aplicar também a nós, de modo muito pessoal, o sucedido no monte das Oliveiras: também o meu pecado estava presente naquele cálice pavoroso. ‘Aquelas gotas de sangue, derramei-as por ti’: são as palavras que Pascal ouve dirigidas a si pelo Senhor em agonia no monte das Oliveiras”

Quem de nós não entende que a sua própria dor é sempre maior que a do outro?

Afinal, a dor é sentimento. E sentimento só se pode ter o próprio. Não há como sentir o sentimento do outro.

 

A maioria de nós carrega no fundo da alma uma angústia, um questionamento sobre algo que nos perturba.

Impulsionados pelo egocentrismo, alimentamos o falso entendimento de que seríamos alvo de uma espécie de perseguição, um castigo divino, uma maldição.

 

Essa angústia provocada pelo sofrimento pode, em relação a si próprio, gerar a pior reação que um ser humano pode ter em relação ao outro, a pena.

O estado de pena causa um círculo vicioso de dor e autopiedade que, girando em torno de si mesmo, chora a dor e dói o choro.

 

Jesus disse: "Vinde a mim,vós todos que estais aflitos sob o fardo, e eu vos aliviarei. porque meu jugo é suave e meu peso é leve." (Mt 11,28.30) 

 

Para que o fardo se torne leve, é necessário lançar a vida nos braços de Cristo. Despojar de tudo que nos reveste e clamar com sinceridade e fé:

“seja feita a vossa vontade, assim na terra como no Céu.”

 

Apresentar o fardo da nossa angústia e dor ao Senhor, é unir a nossa humanidade à dEle, que no monte das Oliveiras apresenta ao Pai a Sua fidelidade, que assim também se faz nossa: “Não eu, mas Tu.”

 

A minha dor não é maior que a dEle, nem menor que a sua, mas a minha vida está contida nEle da mesma forma que a sua.

Juntos formamos um só corpo, num único mistério que eleva nossa humanidade ao encontro do Pai, atingindo a paz, tão desejada.