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segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

TEMPO


Tempo

José Angelo da Silva Campos





Hoje amanheceu chovendo.

Mas mesmo assim, estava quente e o relógio trabalhava.

A gente pensa.

Às vezes sonha, às vezes não.

O tempo passa.

Quando dormimos, ou estamos acordados; trabalhando; divertindo; chorando; brigando; rindo; falando; ouvindo; escutando....

.....O tempo passa.

Passa, passa, até quando?

Até quando vamos acompanhar o tempo passando?

O tempo não fala, não responde nem pergunta, apenas passa.

Se ficamos olhando o tempo.... passatempo.

Se não damos bola pra ele; sem percebermos, ele passa.

Loteado, o tempo é vendido ou comprado, num preço muito alto:

O tempo é caro.

Quanto tempo nos resta?

Onde comprar mais tempo?

Não há!

O tempo que temos não se abastece, não se repõe. Vem no pacote onde está a vida.

O volume do tempo que se tem é segredo. Ninguém sabe.

O que fazer com o tempo que não para de passar?

Com o tempo que não sabemos até onde vai?

Coisa misteriosa esse tal do tempo.

Tudo é medido nele, porém, ninguém sabe dele.

De que vale o nosso tempo?

O que levar dele, e pra onde?

O tempo foi feito pra gastar. Gastar da melhor forma possível......

Mas,...... qual é a melhor forma possível?

Quem economiza tempo, não ganha mais tempo.

Quem consome o tempo, não perde tempo.

O que fazer então?

Refletindo, o tempo passa.

Tempo não se gasta, não se compra, nem se vende......

O tempo não existe.

O que há, é a vida.

Enquanto existe, se chama tempo?

O que temos feito do tempo? Qual tem sido a prioridade dele?

Ops! O tempo não existe.......

Então é a vida?!

O que é a vida, senão a oportunidade? O tempo oportuno, sem medida, sem certeza, ......

A Vida também passa, passa junto com o tempo.

Como está a vida?

Donde vem? Pra onde vai? Como é que fica?

Tempo...

Vida...

Oportunidade........

Hoje amanheceu chovendo......

domingo, 12 de outubro de 2014

O "MEU" 12 DE OUTUBRO



O “meu” 12 de outubro
José Angelo da Silva Campos

Traz lembranças, saudade e nostalgia.                                                                                 
Traz também tristeza pela sensação de algo que se perdeu no tempo.
Eu, criança, relacionava, e por muito tempo relacionei, essa data com a grande festa da fé, homenagem à padroeira do Brasil, Nossa Senhora Aparecida.
Ouvindo a narração enfática pela Rádio Aparecida, os fogos pipocavam no som da rádio e eram sufocados pelo foguetório local.
Era meio dia, a hora da Ave Maria. O foguetório parecia uma guerra, um verdadeiro bombardeio. Eu, menino, corria para baixo da cama, me escondia do foguetório, abandonava as orações e chorava de medo. Como sofria, mas como era bom. Inexplicável essa sensação, uma mistura de medo, fé, expectativa e alegria.
Dia das crianças? Não me lembro. Talvez alguma referência na escola, porém, sinceramente não recordo. A festa de Nossa Senhora Aparecida sobrepunha a tudo.
Hoje, fui à Missa das crianças. A celebração foi festiva em homenagem à Nossa Senhora Aparecida. Fora da Missa, vejo o mundo girando em torno da festa das crianças. Hoje é o dia delas.
Meio dia, a memória busca em mim uma sensação da experiência da infância. Rezo o ângelus e aguço os ouvidos para o “bombardeio”........ Silêncio. Um foguete pipoca ao norte, outros quatro ao sul em estalos esparsos.
Acabou.
Eu me pergunto: o “meu” 12 de outubro não existe mais? Será que a fé se esvaziou? Os valores mudaram?
Sem respostas, sigo na saudade e esperança de que a tradição não se perca e juntos sejamos capazes de festejar a alegria das crianças sob a proteção da mãe de Deus, Maria, aquela que Jesus nos presenteou aos pés da sua cruz, para que, puros como as crianças, alcancemos o Reino dos Céus.

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

A PELEIA DA VIDA


A Peleia da Vida

José Angelo da Silva Campos



O meu caminho é calçado pelas pedras das minhas atitudes e desvirtuado pelas curvas da minha omissão.

Prefiro a falsa fama de cavaleiro andante e sonhador a perecer no marasmo da covardia daqueles que esperam pelos heróis para obter suas conquistas.

A minha amizade não abona suas atitudes, seja reto e não sofrerá o incômodo da sinceridade.

A parrésia faz parte do meu perfil, pois aprendi a não temer a verdade, mesmo que por ela eu sofra na carne.

A sua covardia provoca em mim o pior dos sentimentos, a pena. A sua insistência em transformar-me em massa de manobra, total indiferença. A sua dor pela injustiça, a minha compaixão.

Nasci, sou guerreiro. Vivo, sou corajoso. Se para viver devo negar meus princípios, minha fé e minha coragem, prefiro a morte.

A vida é dádiva divina, aceita nossas derrotas pela nossa capacidade de sorver delas alimento para um renascer cheio de esperança. E ao choro covarde da desistência premia com a aniquilação da memória humana.

O mundo bate forte e só vence aquele que por mais que apanhe, resiste e não abre mão da sua dignidade.

quarta-feira, 6 de junho de 2012

MAIS IGUAIS - UMA ODISSÉIA GREGA


Mais Iguais

Uma Odisséia Grega

José Angelo da Silva Campos





¹ -Platão= “de costas largas”

² -Calistrato= “que incomoda”

³ -Morfeu= “deus do sonho”

4 –Alair= “suprema justiça”

5 –Laódice= “a justiça feita pelo povo”

Eis que “Platão¹”, em mais uma das suas peripécias, após formalmente cobrado pelos senhores da lei resolve desafiá-la. Com o famoso “deixa como está para ver como é que fica”, aposta no poder da largura das suas costas.

“Calistrato²”, mesmo ciente do poder sobrenatural que blinda o espírito de “Platão²”, revolta-se e tenta achar um meio de romper com essa blindagem sobrenatural.

Conclui que “Platão¹” faz parte do seleto grupo dos “Mais Iguais”, grupo este composto por divindades isentas da submissão aos ditames das leis, que apesar de seleto, possui grande número de membros, atuantes nas diversas classes sociais com hierarquia própria, conforme a classe social onde o membro atua.

A classificação dos membros do clã dos “Mais Iguais” define que um “Mais Igual” inferior é sempre “Amigo” do “Mais Igual” superior. Resumindo, é um claro jogo de interesses.

“Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza...” (Art.5º Constituição Federal do Brasil)

Esqueceram nossos constituintes de inserir em meio a tantos incisos e parágrafos que compõem os direitos e deveres individuais e coletivos, os termos definidores da proteção individual dos “Mais Iguais”.

A coletividade formada pelos “Mais Iguais”, apesar de composta por um número restrito de pessoas, não mereceria ter suas prerrogativas e seus direitos claramente estabelecidos na Carta Magna?

O que estão esperando nossos legisladores, que ainda não se pronunciaram a esse respeito, sugerindo uma reforma constitucional para que tamanha injustiça seja corrigida?

Devemos nós os “Iguais” empunharmos essa bandeira e com a brava voz dessa esmagadora maioria, exigirmos a inserção desses nossos compatriotas, tão diferentes de nós e talvez por isso discriminados pela constituinte de 1988?

“Calistrato²”, mesmo não sendo espírita, permite ser possuído pelo espírito de “Morfeu³”, e como bom sonhador crê que um dia a justiça reinará e a casta dos “Mais Iguais” será lançada na Geena para queimar por toda a eternidade.

Enquanto essa sessão espírita não se consuma segue “Calistrato²” perturbando a vida de “Alair4” e instigando a ira de “Laódice5” para que numa ação de cidadania e união popular seja extirpada toda e qualquer proteção aos que ousem “se acharem” “Mais Iguais” que os outros.