domingo, 23 de março de 2014

CRISTO JESUS, ÚNICO MEDIADOR ENTRE DEUS E A HUMANIDADE



Cristo Jesus, Único Mediador entre Deus e a Humanidade. (*)
“Pois há um só Deus e um só mediador entre Deus e a humanidade: o homem Cristo Jesus, que se entregou como resgate de todos.” (1Tm 2,5)
José Angelo da Silva Campos

Não creio que exista dúvida em qualquer verdadeiro cristão quanto à veracidade da afirmativa de que Jesus é o ÚNICO mediador entre Deus e os homens, porém, qual seria a justificativa para que nós cristãos sejamos tão insistentes em interceder a Deus por aqueles que nos procuram, com orações, imposição de mãos, etc.?
Se é TAXATIVO que Jesus Cristo é o ÚNICO mediador, estaríamos nós participando de uma grande farsa? E o que dizer então da intercessão dos santos? Seria um ato de “mediunidade”, prática do espiritismo?
A resposta é simples:
Jesus Cristo É o ÚNICO mediador.
Porém, Jesus Cristo não é sozinho. Cristo tem um Corpo, que é a Igreja, Cristo é a cabeça e nós batizados somos os membros desse corpo, portanto membros desse Único mediador que é Jesus Cristo, o Cristo total, cabeça e membros.
Assim, enquanto Igreja, membros do Corpo de Cristo que tem o próprio Cristo como cabeça, nossa intercessão se faz válida.
Não há como contestar a intercessão dos membros do Corpo de Cristo (Igreja) nos vários textos bíblicos:
“Pedro e João estavam subindo ao templo para a oração das três da tarde. Vinha sendo carregado um homem, coxo de nascença, que todos os dias era colocado na porta do templo chamada Formosa, para pedir esmolas aos que entravam. Quando viu Pedro e João entrarem no templo, o homem pediu uma esmola. Pedro, com João, olhou bem para ele e disse: ‘Olha para nós!’ O homem ficou olhando para eles, esperando receber alguma coisa. Pedro então disse: ‘Não tenho ouro nem prata, mas o que tenho te dou: em nome de Jesus Cristo, o Nazareno, levanta-te e anda!’ E tomando-o pela mão direita, Pedro o levantou. Na mesma hora, os pés e os tornozelos do homem ficaram firmes, ele saltou, ficou de pé e começou a andar. E entrou no templo junto com Pedro e João, andando, saltando e louvando a Deus.” (At 3,1-8)
“Deus realizava milagres extraordinários pelas mãos de Paulo, a tal ponto que pegavam lenços e aventais que tivessem tocado sua pele, para aplicá-los sobre os doentes, e as doenças os deixavam e os espíritos maus se retiravam.” (At 19,11-12)
“Chegavam a transportar para as praças os doentes em camas e macas, a fim de que, quando Pedro passasse, pelo menos sua sombra tocasse alguns deles. A multidão vinha até das cidades vizinhas de Jerusalém, trazendo doentes e pessoas atormentadas por maus espíritos. E todos eram curados.” (At 5,15-16)
E quanto à intercessão dos santos?
Os santos são membros da Igreja (Corpo de Cristo) que morreram. A morte não separa um membro do corpo de Cristo, ou seja, do amor de Cristo.
“Quem nos separará do amor de Cristo? Tribulação, angústia, perseguição, fome, nudez, perigo, espada? Pois está escrito:
‘Por tua causa somos entregues à morte, o dia todo; fomos tidos como ovelhas destinadas ao matadouro.’
Mas, em tudo isso, somos mais que vencedores, graças àquele que nos amou. Tenho certeza de que nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem o presente, nem o futuro, nem as potências, nem a altura, nem a profundeza, nem outra criatura qualquer será capaz de nos separar do amor de Deus, que está no Cristo Jesus, nosso Senhor.” (Rm 8,35-39)
De que adiantaria a gente ser batizado, tornar-se membro do Corpo de Cristo nesta vida, se a morte pusesse fim em tudo isso? Para que serviria isso tudo se não fosse para depois da vida, se não fosse para a salvação?
Disse Jesus: “Eu sou a videira e vós, os ramos. Aquele que permanece em mim, como eu nele, esse dá muito fruto; pois sem mim nada podeis fazer.” (Jo 15, 5)
Portanto Cristo, com seus membros, continua mediador e nem a morte tem o poder de desmembrá-lo. A morte não nos excomunga do Corpo de Cristo.
A tradição da Igreja, ainda antes de definir os vinte e sete livros do Novo Testamento, sempre buscou a intercessão dos santos, desde os tempos das catacumbas, nos primórdios da Igreja, onde encontram-se registradas nas telhas os escritos solicitando a intercessão de Pedro e Paulo.
O Apocalipse narra a oração dos santos (cristãos mortos) quando ainda não havia ocorrido a ressurreição, no tempo da tribulação:
“Quando abriu o quinto selo, vi debaixo do altar aqueles que tinham sido imolados por causa da Palavra de Deus e do testemunho que tinham dado. Gritaram com voz forte: ‘Senhor santo e verdadeiro, até quando tardarás em fazer justiça, vingando o nosso sangue contra os habitantes da terra?” (Ap 6,9-10)
Os Mártires:
“Então, um dos anciãos falou comigo, perguntando: ‘Estes, que estão vestidos com túnicas brancas, quem são e de onde vieram?’ Eu respondi: ‘Tu é que sabes, meu senhor’. Ele então me disse: ‘Estes são os que vieram da grande tribulação. Lavaram e alvejaram as suas vestes no sangue do Cordeiro. Por isso, estão diante do trono de Deus e lhe prestam culto, dia e noite, no seu santuário. E aquele que está sentado no trono os abrigará na sua tenda. Nunca mais terão fome, nem sede. Nem os molestará o sol, nem algum calor ardente. Porque o Cordeiro, que está no meio do trono, será o seu pastor e os conduzirá à fontes da água vivificante. E Deus enxugará toda lágrima de seus olhos.’”  (Ap 7,13-17)
Assim, os cristãos falecidos, aqueles que viram e creram verdadeiramente naquele que o Pai enviou, Cristo Jesus, permanecem membros do Corpo de Cristo e participantes na mediação junto ao Pai:
“Eu sou o pão da vida. Quem vem a mim não terá mais fome, e quem crê em mim nunca mais terá sede.” (Jo 6,35)
“Todo aquele que o Pai me dá, virá a mim, e quem vem a mim eu não lançarei fora, porque eu desci do céu não para fazer a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou. E esta é a vontade daquele que me enviou: que eu não perca nenhum daqueles que ele me deu, mas os ressuscite no último dia. Esta é a vontade do meu Pai: quem vê o Filho e nele crê tenha a vida eterna. E eu o ressuscitarei no último dia.” (Jo 6,37-40)
Conclusão:
Jesus Cristo é o ÚNICO MEDIADOR entre Deus e os homens e somos todos convidados, através do Batismo e pela fé a nos fazermos membros do seu corpo, que é a Igreja e, conforme sua promessa, auferirmos a vida eterna, mantendo-nos fiéis ao seu amor, do qual nem a morte pode nos separar, somente a nossa descrença.

(*) Texto inspirado no Resposta Católica nº 18 (Intercessão dos Santos), Programa do site www.padrepauloricardo.org, (https://www.padrepauloricardo.org/episodios/intercessao-dos-santos)

sábado, 16 de março de 2013

COMO ACEITAR OS PERCALÇOS DA VIDA?


 

Como aceitar os percalços da vida?

José Angelo da Silva Campos

 

Nascer bonito, saudável, em berço de ouro. Crescer como um príncipe, inteligente, sortudo, rico e muito feliz. Envelhecer com plena saúde física e mental, gozando a vida. Morrer sorrindo, ter um féretro glamoroso que fica na memória da sociedade por longo tempo.

Nascer desprovido de beleza física, com saúde debilitada, em um lar fragilizado, adornado pela miséria, onde a fome reina e as doenças proliferam. Crescer às duras penas do martírio, raquítico, com o intelecto afetado pela desnutrição, paupérrimo, azarado, infeliz. Envelhecer por pura sorte, se aumentar o tempo no sofrimento puder ser considerado sorte, todo doença, senil e dependente da caridade humana para as ações mais simples da vida. Morrer como indigente e assim ser lançado em cova rasa.

Nascer em um lar feliz, como um presente para coroar uma linda história de amor. Ainda na infância, do nada, como se por castigo, recebe uma sentença de dor e sofrimento culminada com a morte precoce. A tristeza e o inconformismo entoam o féretro doloroso.

Todas as situações terminam no mesmo mistério, a morte. Mesmo sendo uma morte com toda pompa, outra na miséria e a terceira com a sensação de injustiça pela precocidade, todas carregam consigo a grande dúvida: E aí? É justo isso? Tudo acabou? Há algo além desta vida?

A resposta para entender este mistério está na fé.

O que é fé? Fé é a certeza da realização daquilo que se espera. Portanto, para se ter fé, há que se ter esperança. A esperança é uma expectativa do alcance de algo que se crê e deseja. Portanto para se ter fé é necessário que creia e tenha esperança.

E onde encontrar a fé?

Em tudo que nos leva ao encontro do Deus que se revela.

Deus se revelou em Jesus Cristo, portanto, seguindo Jesus encontramos o sentido e a plena felicidade cuja busca inócua neste mundo limitado e finito afoga nossa alma no desânimo.

Resumindo a fé: acreditar que há um mundo de verdadeira felicidade, onde a vida será eterna, e que a entrada para este mundo depende da fidelidade e total entrega ao Senhor que dá a vida.

Considerando que por amor esse Senhor que dá a vida enviou-nos seu próprio filho para assumir a nossa humanidade, sofrer e morrer para ressuscitar e antes de retornar ao Pai, deixar conosco o Espírito Santo para defender-nos de tudo que nos distancie do Caminho que leva ao Reino que há de vir.

A vida tem um único propósito, promover o nosso ingresso no Reino de Deus, onde ela se faz plena e abundante. Portanto, tudo que há nesta vida tem caráter transitório, não sendo possível concebermos a felicidade fora do convívio de Deus, fato que somente concretizará com a vinda gloriosa de Jesus Cristo, que julgará a todos, vivos e mortos.

O cristão suporta o sofrimento e busca a felicidade verdadeira que sabe só encontrar em Deus. Usufrui das benesses dessa vida como benevolência de Deus para ser compartilhada numa ação de serviço na apresentação do Caminho que leva ao Pai, àqueles que trilham estrada sinuosa.

Deus nos julga, mas quem nos condena somos nós mesmos.

Deus deseja a nossa salvação, mas permite que a decisão seja nossa.

Jesus sempre se mostrou compassivo com o sofrimento humano. Sempre que teve oportunidade curou os enfermos. Porém, em primeiro lugar apresentava a cura espiritual, a salvação, a libertação da prisão do mundo e suas mazelas.

Jesus sofreu e morreu pregado na cruz e ressuscitou, não aboliu do mundo a dor e o sofrimento, mas trouxe-nos a salvação e o refrigério do seu amor.

Crendo na vida eterna, entregamos os nossos sofrimentos a Deus, louvando e glorificando-O pela vida, não importando o seu tempo de duração nem os seus percalços, bastando que seja uma vida que nos permita ir ao encontro jubiloso do Pai pela fé em Jesus Cristo, iluminados pelo Espírito Santo.
 

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

HOLOCAUSTO À PREVARICAÇÃO?


Holocausto à Prevaricação?

José Angelo da Silva Campos

 

- Poderia ser evitado?!

Indignado o cidadão lança esta pergunta em tom de afirmação e a resposta não vem. Contam-se as vítimas. Pessoas viram estatísticas. Jovens sonhadores não mais acordarão. Para que serve essa tragédia além de trazer sofrimento e desespero?

Não pode ser um holocausto oferecido ao deus da omissão e da prevaricação!

Mas pode ser um sacrifício ocasional e santificador, capaz de transformar vítimas em eleitos com entrada franca e direta ao mais sublime objeto do desejo humano, o Reino de Deus.

Mas para que esse horror se transforme em esperança, é necessário que saiamos do nosso comodismo e passemos a agir sempre em prol da coletividade, buscando em tudo a observância do respeito à dignidade humana.

Até quando nossos governantes brincarão de administrar?

Até quando os responsáveis por fazer cumprir as leis manter-se-ão acomodados neste estado de letargia?

Até quando? ...... Até quando?

Se as coisas estão da forma que se encontram, também é porque nós permitimos.

Seja por descaso, seja por interesse pessoal, seja até sem motivo, o nosso silêncio autoriza a ação putrefaciente dos aficionados pelo lucro fácil extraído do sangue e do suor alheio.

Somos coniventes confundindo em nossas mentes covardia com prudência.

Ser omisso não é prudente, é covardia!

A lei existe, já não é uma perfeição, pois até ser publicada sofreu com os açoites dos feitores atentos em defender o interesse dos senhores de engenho.

Mas ela existe e é o que temos para impor regras de convivência em nossa sociedade. Sendo assim, democraticamente devemos obediência a elas e quando nos recusamos a obedecê-las, devemos sofrer as punições também por elas previstas.

Para coibir a infração da lei, foram criados órgãos responsáveis por vigiar e cobrar o seu cumprimento.

São esses órgãos, dentre outros, a polícia, o Ministério Público, os vereadores, os deputados e senadores, todos os fiscais, etc.

E por ordem constitucional, são também responsáveis em exigir o cumprimento das leis, todo cidadão, devendo denunciar aos órgãos competentes as infrações legais que tiver ciência.

Cidadão é aquele individuo que: como membro de um Estado, usufrui de direitos civis e políticos garantidos pelo mesmo Estado e desempenha os deveres que, nesta condição, lhe são atribuídos (Dicionário Houaiss da língua portuguesa)

Infelizmente os órgãos responsáveis pela fiscalização da cidadania estão em sua maioria contaminados pela doença do “politicamente correto”, cujos sintomas provocam o receio de desagradar a alguém com poderes de mando.

Fazer o certo e falar a verdade, nem sempre agrada, porém deve ser sempre o nosso compromisso.

A tragédia ocorreu longe de muitos de nós, mas aquilo que permitiu seu acontecimento está presente no nosso dia-a-dia:

Observemos a ação (ou omissão) dos fiscais municipais, estaduais e federais; dos promotores de justiça; dos vereadores; dos policiais; dos deputados; etc. e respondamos com sinceridade:

Podemos confiar?

“Depois da casa arrombada, fechadura nela”, diz o ditado popular, porém, também diz outro ditado: “melhor prevenir que remediar.” Sendo assim, Vamos à luta e cobremos das nossas autoridades uma fiscalização com autonomia e poder de polícia para que a lógica natural se cumpra e os filhos enterrem seus pais.

domingo, 23 de dezembro de 2012

VINDE A MIM AS CRIANCINHAS!


Vinde a mim as criancinhas!

José Angelo da Silva Campos

 

Neste Natal somos novamente exortados a aceitar participarmos do Reino de Deus.

O Senhor que nesta festa oportuniza de forma contagiante, através do espírito de caridade, a sentirmo-nos tocados pelo Amor de Deus, dá a receita:

Ser puro de coração como as criancinhas.

Ao vislumbramos a evolução humana podemos observar que as mudanças sempre acontecem, nem que sejam na nossa aparência física, independente do nosso querer.

Vamos festejar a família e abrir nosso coração à caridade. Mas aproveitemos a oportunidade para deixar fluir a criança que há amordaçada dentro do nosso peito.

Libertemos em nós a sinceridade da pureza e a autenticidade da espontaneidade que permite o domínio do amor em nossas vidas.

As mudanças físicas, profissionais e até de comportamento acontecem com mais frequência em nossas vidas, seja pela força da natureza, seja por uma atitude nossa.

Porém, a mudança necessária para que ofertemos o melhor presente a Jesus, precisa acontecer no interior da nossa alma, para que possamos exclamar com a sinceridade de uma criança:

Ele está no meio de nós!

Feliz Natal!

 

sábado, 15 de dezembro de 2012

DOIS CAMINHOS


 

Dois Caminhos

José Angelo da Silva Campos

 

 

Deus se fez homem nascendo do seio de uma mulher para salvar a humanidade. O menino-Deus nasceu humilde e o primeiro sopro de ar que encheu seus pulmões estava carregado com o odor natural de um estábulo.

O Senhor, Rei dos Reis, quis sentir-se o menor e mais humilde de todos os homens. Quis depender essencialmente da caridade e da compaixão alheia para crescer. Cultivou no canteiro do seu coração a sinceridade do olhar faminto, a fidelidade da dor compartilhada e a humildade da entrega pura e verdadeira de quem ama incondicionalmente.

O Senhor nascido como nós, vivido no meio de nós, quis morrer como nós, porém, com uma morte humilhante e salvadora.

Pela sua morte, como oferta em sacrifício, pagou a divida da humanidade. Sendo o Senhor todo homem e todo Deus, num sacrifício perfeito, redimiu todo o pecado do mundo, elevando-nos à condição de filhos de Deus, restituindo-nos o acesso à casa do Pai.

Há dois caminhos, somente um conduz à vida plena. Esse caminho tem nome, e seu nome é Jesus. Tudo é questão de escolha.

Escolher o caminho de nome Jesus é caminhar descalço sobre pedras pontiagudas como quem flutua sobre as nuvens; é enxergar flores e pássaros no horizonte de um deserto; é conseguir ver no mal o bem, no fraco o forte, na morte a vida.

Qual caminho estamos trilhando?

O ano tem 365 dias, desses, um é dedicado ao renascimento de Jesus no nosso coração. É natal, dia de paz, dia de reflexão. Esse é o dia em que decidimos fazer algo de bom. Queremos ser caridosos, porém a caridade é expressão de amor, não pode ser ato isolado que se perca no esquecimento sem transformar aquele que a praticou.

Enchemos a boca para dizer que somos discípulos de Jesus Cristo e muitas vezes não podemos sequer nos comparar a Judas, que foi discípulo e traiu Jesus, pois quando enganamos a nós mesmos fingindo-nos cristãos, endeusando a nossa imagem, vivendo preocupados com a opinião dos outros, usando a caridade para cumprir costumes natalinos sem qualquer transformação da nossa vida, afastamo-nos da Luz e nos tornamos prisioneiros do imediatismo e da eleição do prazer como supremo bem da vida humana.

Jesus nasceu, morreu e ressuscitou para renascer dentro de nós.

Hoje vivemos o natal. O natal de Jesus em nossa vida.

Jesus é uma semente que precisa de terra fértil e cuidado diário, reguemos todos os dias essa semente com caridade, desprendimento, franqueza, honestidade, fidelidade, paz e muito amor, ou aguardemos o próximo dezembro para semear Jesus no nosso coração.

Mas lembremo-nos, Jesus nasceu humilde, morreu e ressuscitou, deixando-nos a promessa da sua vinda gloriosa quando julgará a todos nós, e o nosso tempo é agora.

Amanhã pode ser tarde.

Há dois caminhos.
 
Um se chama Jesus.

 

domingo, 28 de outubro de 2012

APROFUNDANDO, FÉ E POLÍTICA


Aprofundando, Fé e Política

“O homem não pode separar-se de Deus nem a política da moral”

São Tomás Moro – Padroeiro dos Governantes e dos Políticos

José Angelo da Silva Campos



A resposta do homem a Deus – Por sua Revelação. “o Deus invisível, levado por seu grande amor, fala aos homens como amigos, e com eles se entretém para os convidar à comunhão consigo e nela os receber”¹. A resposta adequada a este convite é a fé.

Pela fé, o homem submete completamente sua inteligência e sua vontade a Deus. Com todo o seu ser, o homem dá seu assentimento a Deus revelador². A Sagrada Escritura denomina “obediência da fé” esta resposta do homem ao Deus que revela³. (Catecismo da Igreja Católica – 142-143) (¹Constituição Dogmática Dei Verbum-2 / ²Constituição Dogmática Dei Verbum-5 / ³Carta ao Romanos 1,5)

O Catecismo da Igreja Católica ensina sobre a obediência da fé dizendo:

"Obedecer (‘ob-audire’) na fé significa submeter-se livremente à palavra ouvida, visto que sua verdade é garantida por Deus, a própria Verdade. Desta obediência, Abrahão é o modelo que a Sagrada Escritura nos propõe, e a Virgem Maria, sua mais perfeita realização." (144)

A palavra obedecer vem do verbo ouvir. É um ouvir maior que simplesmente escutar. É um ouvir com adesão livre à palavra ouvida.

Deus nos fala como amigos e a amizade é reciprocidade de afeto, portanto, Deus ama o homem e é necessário que o homem o ame de volta para que a amizade se concretize.

A virtude da fé é uma virtude teologal, ou seja, ela é infundida no coração do homem pelo próprio Deus. Desta forma, o homem é completamente dependente de Deus, podendo ser comparado até mesmo a um mendigo. Até mesmo a fé que Deus espera que o homem lhe retribua é uma virtude que deve ser recebida Dele. É por isso que o Catecismo elenca algumas características da fé:

1.       - a fé é uma graça, "é um dom de Deus, uma virtude sobrenatural infundida por Ele" (153);

2.       - a fé é um ato humano, "na fé, a inteligência e a vontade humanas cooperam com a graça divina: crer é um ato de inteligência que assente à verdade divina a mando da vontade movida por Deus através da graça." (155);

3.       - a fé está relacionada à inteligência, o homem crê "por causa da autoridade de Deus que revela e que não pode enganar-se e nem enganar"; "o assentimento da fé não é de modo algum um movimento cego do espírito" (156);

4.       - a fé é certa, "mais certa que qualquer conhecimento humano porque se funda na própria Palavra de Deus que não pode mentir. [...] as verdades reveladas podem parecer obscuras à razão e à experiência humanas, mas a certeza dada pela luz divina é maior que a que é dada pela luz da razão natural" (157);

5.       - a fé procura compreender, "é característico da fé o crente desejar conhecer melhor Aquele em quem pôs a sua fé e compreender melhor o que Ele revelou; um conhecimento mais penetrante despertará por sua vez uma fé maior, cada vez mais ardente de amor"; "eu creio para compreender, e compreendo melhor para crer (Santo Agostinho)" (158);

6.       - a fé não se opõe à ciência, "portanto, se a pesquisa metódica, em todas as ciências proceder de maneira verdadeiramente científica, segundo as leis morais, na realidade nunca será oposta à fé: tanto as realidades profanas quanto as da fé originam-se do mesmo Deus" (159).

A fé está relacionada com a inteligência, é preciso conhecer as razões para se crer, porém, a razão não gera a fé. Ninguém pode ser constrangido a crer por nada nem por ninguém. A fé deve ser livre. É por isso que Deus se esconde do homem, porque, caso se mostre, a liberdade humana cai por terra. O homem deve amar a Deus livremente, por meio de um ato de fé. Desta maneira, é sempre possível que não se creia - esta é a verdadeira liberdade. Diz o Catecismo:

"Com efeito, Cristo convidou à fé e à conversão, mas de modo algum coagiu. ‘Deu testemunho da verdade, mas não quis impô-la força aos que a ela resistiam. Seu reino... se estende graças ao amor com que Cristo, exaltado na cruz, atrai a si os homens." (160)

A fé é razoável, é inteligível, mas não é algo que se possa provar racionalmente, de forma apodítica, irrefutável. Assim sendo, que cada um possa renovar seu ato de fé, conscientes de ser imprescindível à dignidade humana "prestar, pela fé, à revelação de Deus plena adesão do intelecto e da vontade e entrar, assim, em comunhão íntima" (155) com Deus. (Texto extraído “ipsis litteris” do Curso de Catecismo – Aula 16 – www.padrepauloricardo.org )

Portanto, sendo a fé uma adesão de livre vontade, uma resposta do homem a Deus, um ato consciente permeado pela inteligência e fundamentado na certeza da realização daquilo que se espera, torna-se intrínseca ao fiel, inseparável da orientação do seu pensamento.

Aquele que se torna obediente na fé, escuta com todo o seu coração e adere radicalmente ao Caminho, à Verdade e à Vida, respondendo ao convite de comunhão com Deus, confessando sua fé em um só Deus, Pai, Filho e Espírito Santo.

A fé que vincula o homem a Deus torna-o inseparável Dele e de tudo que significa sua amizade. Essa amizade que por si propõe a troca de afeto, Deus nos ama e a ele respondemos com o amor, através da vivência da caridade e na esperança.

Esse vínculo de livre vontade que a fé estabelece, torna-nos comprometidos com a coerência entre a fé e a vida, entre a cultura e o Evangelho, cumprindo a exortação aos fieis feita pelo Concílio Vaticano II “a cumprirem fielmente os seus deveres temporais, deixando-se conduzir pelo espírito do Evangelho. Afastam-se da verdade aqueles que pretextando que não temos aqui cidade permanente, pois demandamos a futura, crêem poder, por isso mesmo, descurar as suas tarefas temporais, sem se darem conta de que a própria fé, de acordo com a vocação de cada um, os obriga a um mais perfeito cumprimento delas”.

A política, como arte ou ciência de governar, requer compromisso e responsabilidade daqueles que assumem o poder e daqueles que o outorgam, em manter como centro de todas as ações e pensamentos a pessoa humana.

“27Deus criou o ser humano à sua imagem... 28E Deus os abençoou e lhes disse: ‘Sede fecundos e multiplicai-vos, enchei a terra e submetei-a! Dominai sobre os peixes do mar, as aves do céu e todos os animais que se movem pelo chão’.” (Gn 1, 27-28)

A democracia é o regime político que melhor exprime a participação popular, porém seria frágil e antagônica ao seu conceito se não tivesse como fundamento a centralidade da pessoa humana.

Por ser o símbolo da liberdade plena, a democracia vem sendo alvo de um relativismo cultural que passa a excluir do centro do seu fundamento a pessoa humana, para exaltar uma liberdade que estaria mais próxima de uma anarquia, cujo individualismo e a sobrepujança dos desejos pessoais excluem a essência da ordem moral que diz respeito ao bem da vida.

Sob a égide da defesa da consciência individual e da laicidade, o relativismo cultural tenta impor ao fiel a mitificação de que os princípios que norteiam a fé cristã seriam incompatíveis com o exercício da política, fato que levaria o fiel a viver duas vidas, dois propósitos, um da fé religiosa com seus cultos, doutrinas e tradições morais e outro da vida natural cujo princípio moral perde sentido a cada imposição da satisfação dos desejos de pequenos grupos em defesa dos seus direitos individuais.

O homem não pode despir-se da sua fé para viver qualquer situação da sua vida comum.

O homem de fé deve satisfação ao compromisso livre e consciente que fez ao convite de Deus, o qual ele responde com a sua adesão ao propósito de seguir, por amor, o Caminho, a Verdade e a Vida que é Jesus Cristo, prestando obediência (ob-audire) com os ouvidos desobstruídos pelo poder do Espírito Santo, aos mandamentos da lei de Deus, assim resumidos em Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo.

Portanto, por obediência e amor a Deus, o fiel deve conduzir suas ações com o objeto do bem comum, centralizando a pessoa humana e a vida como beneficiários naturais, pré-questionando sempre se o ato ou omissão tem como resultado o benefício da humanidade.

A uma “anarquia moral” seremos conduzidos se abdicarmos da coerência da nossa consciência cristã em nome do respeito da consciência individual, assim manifesta a Congregação para a Doutrina Da Fé em Nota Doutrinal sobre algumas questões relativas à participação e comportamento dos católicos na vida política (Roma, 24 de novembro de 2002):

Nas sociedades democráticas todas as propostas são discutidas e avaliadas livremente. Aquele que, em nome do respeito da consciência individual, visse no dever moral dos cristãos de ser coerentes com a própria consciência um sinal para desqualificá-los politicamente, negando a sua legitimidade de agir em política de acordo com as próprias convicções relativas ao bem comum, cairia numa espécie de intolerante laicismo. Com tal perspectiva pretende-se negar, não só qualquer relevância política e cultural da fé cristã, mas até a própria possibilidade de uma ética natural. Se assim fosse, abrir-se-ia caminho a uma anarquia moral, que nada e nunca teria a ver com qualquer forma de legítimo pluralismo. A prepotência do mais forte sobre o fraco seria a consequência lógica de uma tal impostação. Aliás, a marginalização do Cristianismo não poderia ajudar ao projeto de uma sociedade futura e à concórdia entre os povos; seria, pelo contrário, uma ameaça para os próprios fundamentos espirituais e culturais da civilização.

Fé, é adesão por convicção consciente e plenitude da obediência ao convite de Deus e política, é ciência e arte da governança e do relacionamento humano na administração do bem comum.

O princípio e fundamento da fé cristã é Jesus Cristo, o amor.

Para que a política, seja na governança ou nos atos públicos do nosso dia a dia, administrando ou outorgando poderes pelo voto, tenha verdadeiramente por escopo o bem comum, ela não pode afastar-se da moral e nem o homem que a promove afastar-se da fé que o une a Deus.

Fé e política, união pelo objeto do amor, ambas desejam o bem comum, a fé promove no homem os impulsos para que aja politicamente com respeito aos princípios do amor, fiel a Jesus cristo.

Quando o fiel abre mão dos princípios da fé cristã em prol da política, ele está abdicando da sua fé, e em questão de fé não há meio termo, é tudo ou nada.

A omissão, o silêncio do fiel frente à política contrária ao bem comum, tal qual a abdicação dos princípios morais da fé cristã para a adesão à política, também representa o abandono a Jesus Cristo por inteiro.

A vida do fiel cristão é cristocêntrica, mesmo nos deslizes a presença central de Jesus Cristo é que o fará reerguer-se e retomar o Caminho que o leva à Verdade.


Fontes consultadas:

Catecismo da Igreja Católica / Curso de Catecismo da Igreja Católica do Padre Paulo Ricardo de Azevedo Júnior – Arquidiocese de Cuiabá-MT – www.padrepauloricardo.org / Congregação para a Doutrina da Fé – Nota Doutrinal sobre algumas questões relativas à participação e comportamento dos católicos na vida política – Roma 24/11/2002 – www.vatican.va / Bíblia Sagrada – Tradução da CNBB / Carta Encíclica Fides et Ratio Do Sumo Pontífice João Paulo II- Roma, 14/09/1998 / Constituição Dogmática Dei Verbum sobre a Revelação Divina – Roma 18/11/1965 Papa Paulo VI.

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

MANIFESTO REPUBLICANO
José Angelo da Silva Campos
No meu silêncio assisti entusiasmado o envolvimento fascinante dos usuários do facebook na nossa maior manifestação de cidadania, o pleito eleitoral.
Quebro meu silêncio para conclamar a todos que dêem sequência ao debate e que ele não fique restrito a esse período.
Os excessos cometidos por alguns, ficam na conta da paixão. Mas a arte do debate sai, com certeza, vitoriosa.
“É pois, — começou o Africano, — a República coisa do povo, considerando tal, não todos os homens de qualquer modo congregados, mas a reunião que tem seu fundamento no consentimento jurídico e na utilidade comum. Pois bem: a primeira causa dessa agregação de uns homens a outros é menos a sua debilidade do que um certo instinto de sociabilidade em todos inato; a espécie humana não nasceu para o isolamento e para a vida errante, mas com uma disposição que, mesmo na abundância de todos os bens, a leva a procurar o apoio comum.(...) – da obra DA REPÚBLICA de Marco Túlio Cícero – 51 AC

A República clama, a liberdade aspira e a democracia incita todos ao debate, mesmo que filosófico (por que?), para que o apoio comum nos torne verdadeiramente responsáveis pela coisa pública.
É esse sentido de responsabilidade (o que eu tenho a ver com isso?), que como do nada nos envolve numa discussão, muitas vezes sem sentido, sobre o que é melhor para a sociedade.
A República exige de nós essa participação ativa. Uma participação que estamos aprendendo aos poucos como exercê-la.
Não nos esqueçamos dos corajosos cidadãos que expuseram sua imagem para que o teatro da vida real acontecesse.
Não importa a formação, a República se abre desde o analfabeto ao doutor e mestre; não importa o sexo ou opção sexual; não importa a etnia; não importa a condição financeira ou social.
São todos eles os verdadeiros representantes do povo. Dentre eles há o honesto, mas há também o desonesto e mal intencionado.  
A democracia lança a sorte ao julgo do povo.
Esse é o momento de agir com juízo de valor.
O debate não pode parar.
Que os cidadãos, em especial os jovens, dêem prosseguimento ao debate de idéias, seja no facebook, mas que ali não fique restrito. Expanda-se a discussão para as salas de aula, reuniões das comunidades e associações, na praça pública.
A participação na formação das idéias e na discussão dos valores éticos inerentes à coisa pública deve aguçar o nosso desejo em participar, participar de verdade, dos Conselhos Municipais.
Os Conselhos Municipais representam a ação direta do poder do povo na administração Pública.
Que a nossa voz não se cale jamais.
A República agradece.